aerial view of a gas tanker anchored in a gas terminal

Durante quase 30 anos, a história do gás na Guiné Equatorial girou em torno de Alba. O gigantesco campo de gás condensado, que no passado queimava seu gás, hoje sustenta uma planta de GLP, uma usina de energia, uma unidade de metanol e, desde 2007, o terminal de exportação de GNL de Punta Europa. Agora, com o campo em fase final de vida útil, a questão deixou de ser como o país lidará com o declínio e passou a ser se conseguirá reposicionar Punta Europa como centro regional de processamento de gás e GNL para todo o Golfo da Guiné.

O Gas Mega Hub (GMH) foi concebido para aproveitar a infraestrutura existente na comercialização de gás que, de outra forma, poderia permanecer inexplorado. O projeto de interligação de poços Alen, da Chevron, entrou em operação em 2021, seguido por poços complementares em Alba, perfurados em 2025. Em abril de 2026, a Chevron aprovou o projeto Aseng, interligação de poço único no Bloco I.

Atualmente, Alen e Alba fornecem cerca de 175 milhões de pés cúbicos por dia (mmcfd), volume que deve superar 300 mmcfd quando Aseng entrar em produção. Juntas, as três fases devem comercializar cerca de 1 trilhão de pés cúbicos (tcf) na próxima década.

Apesar do avanço, o volume é insuficiente: mesmo em plena capacidade, as fases confirmadas não preencherão a capacidade de liquefação da EG LNG, e a lacuna tende a crescer. Punta Europa precisa de gás adicional antes que a produção remanescente de Alba se esgote.

Curto prazo: Yoyo-Yolanda e descobertas menores

As opções mais imediatas são incrementais. O projeto transfronteiriço Yoyo-Yolanda, da Chevron, unificado com Camarões em fevereiro de 2026, poderá fornecer até 350 mmcfd por meio de uma interligação submarina a Alen, com primeiro gás previsto para o fim de 2029.

Descobertas menores nos blocos Alba, D, O, EG-23, EG-31 e EG-08 somam quase 2 tcf de potencial de reposição, grande parte próxima a gasodutos existentes.

Ebano: o maior prêmio doméstico

A maior oportunidade está no Bloco EG-27, agora renomeado Ebano, com cerca de 3 tcf de recursos contingentes. Mais do que ocupar capacidade ociosa, o bloco poderia sustentar uma segunda unidade de liquefação em Punta Europa, caso um desenvolvimento liderado pelo hub supere a alternativa de uma unidade flutuante de GNL (FLNG) independente.

O resultado não é garantido. Ebano fica a cerca de 140 quilômetros da infraestrutura existente, e o projeto anterior, o Fortuna FLNG, fracassou em 2019 por falta de financiamento. A SONAGAS detém agora a propriedade integral do bloco, e a ConocoPhillips assinou um memorando de entendimento para participar.

Camarões e Nigéria elevam a aposta

O prêmio maior está além das fronteiras. Camarões tem mais de 6 tcf de gás, em grande parte inexplorado, e o fim do contrato da unidade flutuante Hilli Episeyo, em julho de 2026, aumentou a urgência por uma nova saída. Etinde e a descoberta vizinha de Sapele poderiam, de forma realista, abastecer Punta Europa por gasoduto.

A Nigéria oferece a opção mais transformadora. O gasoduto proposto para o Golfo da Guiné, respaldado por um tratado bilateral de 2024, transportaria até 2.700 mmcfd, cerca de quatro vezes a capacidade atual da EG LNG. Esse volume poderia abastecer o mercado interno de energia, fornecer matéria-prima industrial e viabilizar novas unidades de liquefação, e não apenas repor o gás. A visão depende, porém, de compromissos firmes de fornecimento, acordos transfronteiriços viáveis e financiamento que ainda não se concretizaram.

Janela de oportunidade tem prazo

Todos os caminhos, de Ebano ao gasoduto nigeriano, exigirão condições comerciais competitivas, parceiros comprometidos na exploração e produção e confiança de que Punta Europa conseguirá atrair capital frente às opções de FLNG e a outras soluções globais de GNL. A Guiné Equatorial conta com infraestrutura, localização e duas décadas de experiência operacional, vantagens difíceis de replicar no Golfo da Guiné. A oportunidade é real, mas diminuirá à medida que a produção legada de Alba declinar.

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