barrels of the petrol ofisi

Petróleo sobe com fim de acordo entre EUA e Irã e ameaça de escalada em Ormuz

Os preços do petróleo dispararam nesta segunda-feira (17) diante do aumento das tensões entre Estados Unidos e Irã e da ausência de um acordo para estender o memorando de entendimento firmado pelos dois países em junho. O documento, que previa a abertura do Estreito de Ormuz enquanto as partes negociavam uma solução para o programa nuclear iraniano, chegou ao fim sem uma nova prorrogação.

O petróleo americano WTI subiu 2,6%, encerrando a sessão a US$ 84,50 por barril. O Brent, referência internacional, avançou 2,7%, para US$ 90,87.

A alta ocorre em meio ao risco de uma nova escalada militar no Oriente Médio. Um alto funcionário iraniano afirmou à Reuters que Teerã poderá abandonar uma postura predominantemente defensiva e adotar uma estratégia ofensiva caso os esforços diplomáticos com Washington fracassem.

Segundo o funcionário, as autoridades iranianas devem estar preparadas para uma possível escalada das tensões no Estreito de Ormuz e em outras áreas da região.

Irã descarta extensão do acordo

O memorando entre Estados Unidos e Irã foi firmado em 17 de junho e tinha duração prevista de 60 dias. A expectativa era que o entendimento permitisse a retomada do tráfego pelo Estreito de Ormuz enquanto os dois governos buscavam um acordo definitivo sobre o programa nuclear de Teerã.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmail Baghaei, afirmou que não existem negociações para prolongar o acordo.

Segundo declarações divulgadas pela agência estatal Tasnim, Baghaei afirmou que o Irã não iniciou negociações e acusou os Estados Unidos de terem violado o acordo desde o início. Por isso, segundo o porta-voz, o prazo de 60 dias não seria relevante para Teerã.

Do lado americano, o presidente Donald Trump também indicou que não pretende estender o cessar-fogo.

Trump ainda elevou o tom contra o Irã ao exigir que o país “hasteasse a bandeira branca da rendição” em entrevista à Fox News.

Trump ameaça Omã

A tensão ganhou uma dimensão adicional depois que Trump ameaçou atacar Omã, país que vem atuando como intermediário nas discussões com o Irã sobre o tráfego marítimo em Ormuz.

O presidente americano afirmou que os Estados Unidos bombardeariam Omã caso o país interferisse nos objetivos de Washington.

A declaração aumenta a pressão sobre um dos principais canais diplomáticos entre os dois lados e adiciona incerteza às tentativas de encontrar uma solução para a circulação de embarcações pelo estreito.

Tráfego em Ormuz praticamente para

O impacto da crise já pode ser observado no transporte marítimo. Apenas três embarcações atravessaram o Estreito de Ormuz no domingo, segundo dados da Kpler. A média diária dos cinco dias anteriores era de 12 navios.

O contraste é ainda maior quando comparado ao período anterior ao início da guerra, em 28 de fevereiro. Na época, cerca de 130 embarcações cruzavam diariamente a passagem.

A paralisação do tráfego coloca o mercado de petróleo em alerta porque o Estreito de Ormuz é uma das principais rotas para o transporte de petróleo e derivados produzidos na região do Golfo Pérsico.

Com o acordo entre Estados Unidos e Irã chegando ao fim e sem uma nova rodada de negociações em andamento, o mercado passa a precificar um risco maior de interrupções prolongadas no fluxo de petróleo.

Para os preços, o principal fator de atenção agora é a evolução da situação no estreito. Uma retomada do tráfego poderia aliviar parte do prêmio de risco incorporado às cotações. Já uma escalada militar ou uma interrupção prolongada tende a aumentar a pressão sobre a oferta e os custos de transporte de petróleo no mercado internacional.

Deixe um comentário

Designed with WordPress

Descubra mais sobre

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo