Donald Trump discusses a Middle East map labeled Iran, Iraq, and Saudi Arabia

A crise entre Estados Unidos e Irã ganhou uma nova frente nesta segunda-feira (17), com uma ameaça do presidente americano Donald Trump contra Omã, país que atua como intermediário nas discussões sobre o Estreito de Ormuz. Segundo Trump, os EUA poderiam atacar o país do Golfo caso sua atuação fosse considerada um obstáculo aos objetivos americanos na região.

A declaração ocorre justamente no momento em que expira o cessar-fogo de 60 dias entre Washington e Teerã, sem que um acordo formal ou novas negociações diretas entre os dois países estejam encaminhados. O cenário aumenta a preocupação com o futuro do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o transporte de petróleo e outros produtos energéticos.

Omã mantém conversas com o Irã na tentativa de viabilizar a reabertura da passagem para o tráfego comercial. Ao mesmo tempo, os Estados Unidos continuam com o bloqueio aos portos iranianos, elevando a pressão sobre Teerã.

Em entrevista à Fox News, Trump afirmou que os Estados Unidos não têm pressa para chegar a um acordo com o Irã. O presidente americano disse ainda que conversas informais estariam ocorrendo com integrantes da Guarda Revolucionária Iraniana, embora Teerã negue a existência de negociações diretas com Washington.

Trump também voltou a colocar a questão nuclear no centro das exigências americanas. Em uma publicação na rede Truth Social, afirmou que o principal objetivo dos Estados Unidos continua sendo impedir que o Irã tenha uma arma nuclear.

Trânsito em Ormuz praticamente para

A escalada ocorre em meio a uma forte redução no tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz. Segundo dados da Kpler, apenas três navios atravessaram a passagem no domingo. A média dos últimos cinco dias era de 12 embarcações por dia.

A diferença em relação ao período anterior ao início da guerra é ainda mais expressiva. Cerca de 130 embarcações cruzavam diariamente o estreito antes de 28 de fevereiro, quando começou o conflito.

A redução do tráfego transforma Ormuz em um dos principais focos de preocupação para o mercado global de energia. A passagem é estratégica para o transporte marítimo de petróleo e derivados produzidos no Golfo Pérsico, e qualquer interrupção prolongada pode aumentar os custos de frete e pressionar os preços internacionais da energia.

Para Parash Jain, especialista em transporte marítimo do HSBC, o mercado precisa considerar a possibilidade de que a instabilidade se torne uma característica persistente do setor. Em entrevista à CNBC, o analista afirmou que os investidores devem incorporar o “caos” às suas premissas para o transporte marítimo.

Irã nega negociações com os EUA

Enquanto Trump afirma que existem contatos informais, o governo iraniano nega que haja negociações diretas com os Estados Unidos.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que os dois países não realizaram negociações até o momento. Segundo ele, Catar e Paquistão atuam como canais de comunicação e trocam mensagens entre os governos, mas isso não significa que exista uma negociação direta.

Araghchi também rejeitou a caracterização de que existe um cessar-fogo efetivo entre os dois países. A declaração reforça a incerteza sobre o que ocorrerá após o término do período de 60 dias.

A posição iraniana também é rígida em relação ao Estreito de Ormuz. O vice-ministro das Relações Exteriores, Kazem Gharibabadi, afirmou em uma publicação no X que a passagem continuará sob controle iraniano e que sua abertura ou fechamento dependerá de uma decisão de Teerã.

Omã fica no centro da crise

Nesse contexto, Donald Trump e Omã passam a aparecer no centro de uma disputa que combina diplomacia, segurança e energia.

Omã historicamente desempenha um papel de interlocutor entre países que mantêm relações difíceis, e sua atuação em torno do Estreito de Ormuz ganhou importância à medida que o tráfego pela região entrou em colapso.

A ameaça de Trump acrescenta uma nova camada de tensão à tentativa de mediação. Ao mesmo tempo em que Omã busca ajudar a restabelecer o trânsito comercial, os Estados Unidos pressionam para que o Irã cumpra suas exigências, especialmente em relação ao programa nuclear.

O risco imediato para os mercados está na possibilidade de uma interrupção prolongada do transporte pelo estreito. Quanto mais tempo durar a paralisação, maior tende a ser a pressão sobre empresas de navegação, seguradoras, refinarias e compradores de petróleo.

Para o mercado de energia, o principal ponto de atenção agora é se haverá alguma iniciativa diplomática capaz de restabelecer o fluxo pelo Estreito de Ormuz. Sem um acordo entre Washington e Teerã e com a passagem praticamente paralisada, a região permanece como um dos principais focos de risco para o abastecimento global de petróleo.

A combinação de ameaças militares, ausência de negociações diretas e queda abrupta do tráfego marítimo deixa o cenário aberto para novas escaladas. E, enquanto Omã tenta atuar como intermediário, o futuro de Ormuz continua diretamente ligado à disputa entre Estados Unidos e Irã.

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