Cerca de quatro décadas após ter começado a ser construída, Angra 3 continua suscitando debates e discussões sobre sua viabilidade e importância. Os altos custos envolvidos, tanto para dar continuidade à obra quanto para abandoná-la, torna o debate mais acalorado. O Instituto Escolhas, em parceria com a consultoria PSR, promoveu um estudo para debater a continuidade da obra e apurou que o preço da energia gerada pode sair por aproximadamente R$ 528 por MWh. Com isso, a central produz o mais elevado custo proveniente de uma fonte de energia de reserva.

De acordo com o estudo, esse valor pode ser alcançado considerando os custos de capital da usina acrescido pelos custos fixos de operação. Esse total coloca a energia da central cerca de 28% mais cara do que a energia gerada por termelétricas a gás em ciclo aberto, que ficaria em torno de R$ 412 por MWh. “Sob o ponto de vista de geração de energia, não se justifica”, comentou o diretor do Instituto Escolhas, Sérgio Leitão.

O instituto ainda mostra que, comparando-se Angra 3 com a geração de usinas renováveis, mostra que estas se tornam mais competitivas do ponto de vista do preço da geração. Se fosse instalada uma central fotovoltaica no Sudeste – mesma região de Angra 3 – o custo quase dobraria se fossem incluídos os valores subsídios, incentivos e custos de infraestrutura. Ainda assim, o preço da energia alcançaria R$ 328 por MWh, permanecendo R$ 200 por MWh mais barata do que a opção nuclear.

Mas deixar a obra de lado também será uma tarefa complexa. Dados do instituto mostram que o custo para abandonar Angra 3 seria de aproximadamente R$ 12 bilhões, cálculo que já vinha sendo discutido no setor. Só a multa a ser paga a título de recisão do contrato de energia de reserva é de R$ 2,3 bilhões. Mas o maior montante a ser pago é a liquidação antecipada dos financiamentos, que totalizariam quase R$ 7 bilhões. Só a desmobilização do canteiro de obras, demandariam cerca de R$ 650 milhões em desembolsos.

Essas cifras voltam a ser contestadas devido o atual cenário de pandemia do novo coronavírus, em que estima-se que o Produto Interno Bruto (PIB) poderá sofrer uma retração que pode variar entre 6% – cálculo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplica, IPEA – e 9,1% – conforme cálculo do Fundo Monetário Internacional (FMI). Só no primeiro semestre, a prévia do caiu 6,28%, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O estudo cita posição do Ministério de Minas e Energia (MME). A pasta informou que é necessário considerar a operação conjunta do sistema elétrico como um todo para atestar a importância da fonte. Informa ainda que a fonte nuclear proporciona maior flexibilidade de geração de energia do gás e maior confiabilidade ao sistema.

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